Comecei o dia com o pé esquerdo. Não que isso seja estranho para mim do ponto de vista sensorial-organizacional: sou ambidestro. Chuto com as duas pernas e ainda cabeceio, e uso ferramentas com as duas mãos. Por uma questão política, sim. Sou socialista, posicionamento considerado de esquerda.
Parodiando Charles de Gaulle, o Brasil não é um país sério. Charles
de Gaulle falava isso brincando com o fato de a França ter tantas marcas de
queijo. No caso do Brasil, seriam tantas marcas de cachaça? Não, o que me
intriga é o fato de um assunto tão idiota sobre como usar suas sandálias pode
gerar tanta discussão nas redes sociais.
Voltando ao tema, comecei o dia com o pé esquerdo. Na minha
idade começar o dia com qualquer pé já é motivo de celebração. Poxa, comecei o
dia com os pés no chão! E assim será por muito tempo ainda. Meus pés estão
ótimos. Uma artrose de quase nada é quase nada mesmo. O problema hoje foi o
joelho esquerdo. De onde vem essa dor inquietante? Ela me impediu de começar a
manhã fazendo ginástica, mas quando os pés ou as pernas me tiram do chão a
cabeça começa a pensar. Oba, isso dá uma crônica.
E não é que sentar e colocar a cabeça para funcionar não me
fez esquecer pés, pernas e joelhos? Nem vou ficar pensando nisso para os
joelhos continuarem esquecidos e suas dores também. O que a cabeça esquece o
corpo não comparece. Tomo algumas outras precauções. Durante décadas usei as
tais sandálias do falso dilema. Hoje não as uso mais, por questão de segurança.
Resido em uma cidade plena de morros, até minha casa tem subidas e descidas,
logo, melhor não as usar. Prefiro pés descalços ou com sapatos adequados para
caminhadas pra cima e pra baixo.
Caminhar é preciso. Viver, às vezes, é muito perigoso.
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