Tá
certo, era só um jornal da cidade, de pequena circulação, mas era sua primeira
aparição na imprensa. E falavam bem da banda agora com quatro membros: Ritinha guitarrista/vocalista,
Zarollho baixista, Alicate baterista e Magrão percursionista. A meta era chegar
ao jornal do estado em poucos meses.
Amadurecimento e envelhecimento saudáveis são possíveis. As dores e os amores ao envelhecer são temas do autor ao escrever sobre seu próprio envelhecimento, com humor e conteúdo. Sigam o “blog”. Algumas boas ideias podem aparecer.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
MELANCOLIA
-
Caraca, Ritinha. Porque tamanha melancolia? Ponha um pouco mais de vigor em sua
vida!
-
Melancolia nada, meu. Tristeza mesmo. Minha família me manda o recado que, se
eu não voltar para casa e abandonar minhas punk ideias, eles me abandonarão.
-
Ótimo. Hora de crescer.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
ALICATE
A
banda punk de Ritinha começava a se formar. Agora eram três: Ritinha, Zarolho e
Alicate, esse último o baterista que tocava com um par de baquetas que ele
segurava como se fosse um alicate. Agora era puro ensaio. E eles logo
descobriram que se queriam crescer precisavam de muitas horas de treino.
SUFOCO
No maior sufoco cuidando das
tranqueiras de seu quintal, entretido em organizar seu material reciclável para
revenda, e na esperança de sua mulher chegar na quarta de manhã e encontrar
tudo arrumado, Zé Tranqueira nem percebeu que passou toda a terça-feira gorda
no trabalho. Só deu em si quando sua mulher passou a mão suavemente em seu
rosto. Pensou que sonhava.
ZAROLHO
Em
pleno carnaval, Ritinha conheceu Zarollho, um baixista que tocava no bloco punk
que evoluía pela avenida arrastando uma trupe enorme de pessoas como ela. Cada
um derramando divertidamente sua postura de viver a vida. Depois do desfile, o
convidou para fazer parte de sua banda.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
AUTOBIOGRAFIA DESAUTORIZADA XXXIV
Um dos exercícios que preciso fazer para eliminar certas crenças
enraizadas em meus pensamentos íntimos e negativos é afirmar constantemente os
meus resultados adquiridos na vida, as coisas que eu construí durante a minha
existência para ter sempre a certeza de que eu sou capaz, eu sou poderoso, eu
sou o máximo. Sim, eu sou capaz, eu sou poderoso, eu sou o máximo. Por isso,
uso este espaço de minha autobiografia desautorizada para autorizar-me (apenas
eu tenho o poder de fazer isso) a relatar as grandes e boas coisas que fiz na
vida e dizer ao mundo: eu tenho a força; a força está comigo, eu tenho o poder,
eu sou o máximo. Porque realizei grandes coisas. O relato a seguir não é apenas
uma lista de realizações, mais que isso, é uma reverência a meus fazeres.
Hoje eu sei que o grande poder das realizações está nas ações.
Parece redundância [realiza + ações]. E ações estão ligadas ao afazeres, ao
levanta da cadeira e vá fazer alguma coisa. Sempre fui mais parado que o necessário,
mesmo assim fiz grandes coisas. Quando garoto ainda eu trabalhei em uma lavoura
junto com meu pai. Arrendamos um terreno brejoso próximo a nossa casa e fomos
plantar. Era um vale com um grande brejo no meio, mas vimos que a água era de
nascente no local e de boa qualidade. Então fizemos um canal para escoamento da
água para um córrego vizinho com uma tampa que nos permitia barrar o fluxo de
água, formando uma pequena represa, o que nos garantia água pura e em
quantidade suficiente para regar nossa plantação. E ali plantamos inhame,
mandioca, beterraba, cenoura, batata baroa, e outros legumes. No quintal de
nossa casa plantávamos verduras e tomates. Com isso tínhamos sempre o que
complementar o arroz, feijão e macarrão de todo dia. E crescemos fortes e
saudáveis. A venda dos produtos na rua nos aportava um dinheiro a mais que
garantia as compras de roupas, sapatos e cadernos para os estudos. Essa foi
minha primeira grande realização.
Na escola eu me garantia e tinha ótimas notas. Era conhecido como
aluno inteligente e com isso fiz alguns amigos que se interessavam por mim.
Outros, é claro, só queriam que eu lhes passasse cola nas provas. Foi minha
inteligência, entretanto, que me fez crescer na vida e passar no vestibular de
Física antes de completar dezoito anos. Meu segundo grande feito foi fazer uma
faculdade no tempo certo, trabalhando, sem receber um tostão dos pais. Tive
minha independência aos dezoito anos. E o trabalho sempre bateu à minha porta.
O estudo definiu minha profissão: professor desde os dezoito anos. E passei nos
concursos que fiz: professor na Universidade Federal de Viçosa em mil
novecentos e setenta e oito; aluno do mestrado em mil novecentos e oitenta e
um; professor na PUCMG em mil novecentos e oitenta e sete; professor na Universidade
Federal de São João del Rei em mil novecentos e oitenta e nove; professor no
CEFETMG em mil novecentos e noventa e três; aluno de doutorado na Universidade
de Paris XI em mil novecentos e noventa e seis e na Universidade de Borgonha em
dois mil, doutorando-me em dois mil e um. Sou doutor e doutorei-me com louvor.
Uma grande plateia veio assistir à minha defesa de tese. Grandes realizações.
Como professor eu ajudei a formar muita gente. Não tenho a conta
de quantos alunos eu tive na vida. Foram quarenta anos de magistério, com uns
duzentos alunos por ano, em média, somando oito mil alunos, no mínimo (penso
que avalio por baixo). Entre eles, tive uns cem alunos de especialização,
outros tantos de mestrado, dos quais orientei vinte e cinco, e participei de
cinquenta e uma bancas de mestrado e doutorado. Nos cursos técnicos, de
graduação e pós devo ter orientado uns mil projetos diferentes. É ou não é um
grande somatório de realizações?
Nos trabalhos de consultoria eu também ajudei bastante a muitas
pessoas, escolas e secretarias de educação. A minha participação em projetos do
CAED de Juiz de Fora foi muito profícua, permitiu-me aprofundar em questões
curriculares importantes que hoje são afirmações de políticas públicas na
educação. Publiquei uma dezena de artigos, escrevi uma dissertação de mestrado,
uma tese de doutorado, publiquei três livros. E hoje trabalho como consultor e
editor. Como coach já ajudei uma dezena de pessoas a realizarem seus desejos de
crescimento.
Na vida pessoal, eu não posso me gabar tanto, mas tive dois filhos, cuidei de outros dois, construí uma casa de duzentos e cinquenta metros quadrados, onde moro, e tenho ainda um apartamento de oitenta metros quadrados em um local valorizado. Tenho uma mulher de temperamento difícil, mas que gosta de mim, tenho muitos amigos queridos e várias pessoas me acompanham nas redes sociais.
Posso afirmar, com certeza, que realizei muito e por isso me
considero o máximo. Eu sou o máximo.
FANTASIA
Palavras
de Ritinha aos foliões: - quero ver você usar uma fantasia todo dia, uma
indumentária que marque a sua diferença em relação aos demais e ao mundo, no
cotidiano. Para que serve a sua fantasia carnavaleônica se nos demais dias do
ano você não respeita os diferentes? Se liga, malandro!
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