04/09/2013
Bernard e Hélène Richoux são duas pedras preciosas
encontradas em um rio de águas cristalinas. Conhecemo-nos em 1996 quando
morávamos na França para nossos doutorados, Hélène foi colega de classe de
minha mulher, no DEA da Universidade de Paris VII. Os primeiros contatos já
foram muito amigáveis, prenúncio de longa amizade. Desde então nossos contatos
foram nos aproximando cada vez mais. Mesmo depois de nosso retorno ao Brasil,
estamos nos visitando pelo menos uma vez por ano. Eles moram em Sainte
Genéviève sur Bois, uma pequena cidade da região metropolitana parisiense, a
meia hora de trem, RER C, de Paris. A casa deles é agradável, bem mantida pelos
dois, sendo Bernard amador de marcenaria, de modo que tem sempre uma inovação
cada vez que os visito.
Hoje, eles estão aposentados, curtindo a vida, os filhos e
os netos vem vindo aos poucos (já são quatro). Ambos eram professores de Física
em Liceus de cidades vizinhas à deles, Hélène chegou a fazer doutorado em
Didática de Disciplinas, e fez pesquisas e publicou artigos. Bernard coordenou
a redação de um livro didático de Física e Química para o Liceu, que corresponde
ao nível Ensino Médio no Brasil. Na França, o ensino de Física e Química é em
conjunto, com um só professor formado nas duas disciplinas. O currículo não é
tão extenso como no Brasil, é perfeitamente viável o trabalho.
Voltando ao segundo objetivo de minha passagem pela França,
o dia deveria ser também dedicado aos preparativos para minha viagem entre
Londres e Paris de bicicleta, e o tempo não seria longo para isso. Eu
precisava: alugar uma bicicleta em Paris; verificar como transportá-la via
Eurostar; comprar bilhetes de trem entre Paris e Londres; comprar roupas
adequadas para pedalar. Contava com a ajuda de Bernard para isso, pois ele me
levaria aos lugares certos para as compras devidas. E ele fez muito mais que
isso. Primeiro, ele me emprestou sua bicicleta, uma que na França chamam de VTT
(vélo tout terrain). No Brasil a chamamos de bicicleta de cross, ou montain
bike, nós que não temos o hábito de procurar uma boa palavra em nossa língua
portuguesa e absorvemos palavras em inglês, bestas que somos. Uma vez aceito o
empréstimo passamos a limpá-la, verificar se estava tudo em ordem, verificar as
ferramentas e acessórios necessários e/ou úteis para o longo trajeto, etc.
Entramos no sítio web da Eurostar (http://www.eurostar.com/) para
certificar-nos das possibilidades de transporte de bicicleta no trem. Vimos que
podemos coloc´-ala dentro de uma bolsa apropriada para guardar bicicletas
desmontadas e, assim, transportá-la pagando uma taxa de quinze euros. Nada mal.
Passo seguinte: procurar na Internet onde encontrar a tal bolsa. Encontramos
uma marca a setenta euros vendida em loja da rede Decatlon (http://www.decathlon.fr/). E uma loja
dessas existe a menos de dez quilômetros da casa de Bernard. Em seguida
compramos o bilhete de trem para ir a Londres. Cem euros a ida para mim e cento
e sessenta euros ida e volta para minha mulher que iria comigo até Londres e
depois voltou de trem para Paris. Cabe aqui uma nota: foi difícil convencer a
agente de plantão na alfândega inglesa que eu tinha passagem só de ida a
Londres, porque voltaria de bicicleta. Ela deve ter pensado que eu era maluco.
Tudo isso feito, passamos ao jantar chez Richoux, preparado
por Hélène, uma torta de tomate deliciosa, com melões e presunto Parma como
entrada. E vinho tinto, um Saint Joseph, genial. Antes havíamos
bebido umas cervejas deliciosas, a Lefe e a Grimberger, ambas belgas. O sono caiu
pesado, pelo cansaço da viagem e pela bebida também. Somos comedidos com
relação ao álcool, a viagem nos colocou com sono. Fomos dormir por volta de 22h00,
acordamos as 09h00, hora local. Que sono.
Foi com essa VTT que pedalei 420 km de Londres a Paris, em setembro de 2013.
Nenhum comentário:
Postar um comentário