terça-feira, 18 de junho de 2019

AUTOBIOGRAFIA DESAUTORIZADA XXXV


             Quase cinquenta anos depois venho a público fazer uma confissão. Com autorização de quem? Não preciso esclarecer que essa autobiografia continua desautorizada. Significa que não me responsabilizo por aquilo que escrevo aqui nessas páginas. Mas a confissão é necessária, absolutamente. Como entrei para um grupo de pessoas que me cobram lealdade poética (pensei que fosse liberdade poética, mas essa é obrigação de escritores: serem livres) pensei ser de bom alvitre fazer essa confissão. Eu dormi com Marília de Dirceu. Uma noite inteira.  
Como assim? Leu alguma coisa sobre os inconfidentes mineiros e sonhou à noite? 
Não, cara. É verdade. Eu dormi com Marília de Dirceu. Juntinhos, coladinhos.  
Ah, então é com alguma jovem mulher com o mesmo nome da musa!  
Não, cara. Eu dormi com a musa dos inconfidentes.  
Penso que você está ruim da cabeça. Há dois séculos de diferença. Você viajou no tempo? Ou viajou nas drogas? Explica melhor essa história!  
Pelo menos você se interessou. Eu estava com dezessete ou dezoito anos, naquela idade em que você está pronto para cometer inúmeras loucuras. Era festival de inverno em Ouro Preto e eu fui para lá juntamente com uns amigos de escola. Fomos nos divertir mais que aprender alguma coisa no festival. Passeamos pela cidade, assistimos vários shows programados para a ocasião, bebemos e fumamos e procuramos garotas para namorar. Garotas não encontramos, mesmo assim divertimos. Mais tarde entramos em um bar e nos acomodamos bem no fundo do mesmo para passar a noite. O dono do bar autorizou a estadia no estabelecimento, desde que fosse sem confusão e com um pequeno pagamento. A notícia deve ter se espalhado entre os desabrigados de fora, turistas sem paradeiro fixo, pois o fundo do bar ficou cheio. Ele baixou a porta e uma turma ficou lá dentro. 
Eram tempos difíceis, cara. Ditadura militar. A cidade estava infestada de milicos, de dedos duros, de espiões do governo, etc. Obviamente eles ficaram sabendo da presença de hyppies (assim éramos chamados) cabeludos, com roupas estranhas, maconheiros. Mesmo sem fumar maconha éramos carimbados como maconheiros. Afinal, o que fazíamos na cidade se nem participávamos do festival de inverno?  
E esses caras não brincavam em serviço. Não se pode confiar em polícias em tempos de ditadura, absolutismo, fascismo, etc. Policiais são treinados para a grosseria, para a truculência. E nessas épocas eles se sentem uns deuses.
Madrugadinha feita, o frio de julho baixa sem dó naquela cidade úmida e entre montanhas. E baixa também a polícia no loca, abre repentinamente a porta do bar e começa a pegar um por um e colocar no camburão. Encheu o camburão. Foram levar para a delegacia aquele grupo e disseram que voltariam para levar o resto. Deixaram um soldado de plantão no local, mas eu e meus amigos, que não fomos levados na primeira remessa, conseguimos driblar o milico e fugimos. Uma correria só. Ele deixou passar, não iria sair correndo na rua atrás de jovens fujões. 
E onde entra a Marília de Dirceu? 
A primeira porta que encontrei aberta era a casa dela. Entrei sem mesmo saber onde entrava e logo fui procurar uma cama para me deitar. Àquela altura da noite eu já estava cansado à beça para escolher cama. Aliás, escolhi sim. Eu vi na cabeceira da cama o nome Marília de Dirceu. Como eu já fazia poses de poeta, pensei: é aqui mesmo, com a Marília, que dormirei. Enrolei-me em meu saco de dormir, recitei um poema de minha safra para a Marília (afinal, ela estava acostumada a ouvir recitais e saraus) e dormi depois de pouco tempo.  
E quem era essa Marília? Como ela deixou você passar a noite ao lado dela? 
Primeiro, não foi ao lado dela. Foi em cima dela. Segundo ela estava morta. 
Dormiu com uma defunta? 
Sim. Em cima de sua lápide no cemitério atrás do Museu dos Inconfidentes, em Ouro Preto. E acordei com aquela fina névoa invernal ouropretana caindo em meu rosto. E com um frio do cão. A Marília, ou seus ossos, estavam abaixo de mim. Mas eu fiz uma escolha de leito. Dormi ao relento, mas escolhi dormir com a Marília de Dirceu. 
No outro dia, passamos mais um dia na cidade, vivendo música e teatro. A fim de tarde, a mãe de um dos colegas foi nos buscar. Ficou sabendo de nossa aventura e nos trouxe de volta para casa. De Kombi. Afinal, éramos uns seis idiotas vagabundos.  

domingo, 26 de maio de 2019

20190526: CAMINHOS DO SERTÃO - NARRATIVA 02

Iniciei o planejamento de minha caminhada do sertão fazendo uma lista de checagem para não deixar nada passar batido e chegar em Vila Sagarana desprevenido e despreparado. O primeiro item da lista é o atestado médico comprovando minha aptidão para fazer a caminhada. Liguei para minha médica de 15 anos de consulta semestral, ela conhece a minha saúde mais que ninguém ao ponto de me salvar de um diagnóstico errado feito por outro médico (desconfiei e liguei para ela), não era nada como eu supunha.  
O segundo item é pensar como chegar a Vila Sagarana na hora marcada. São 600 km de Belo Horizonte. Planejo ir de carro para não ficar pelo caminho, nem me atrasar. O que significa 08 horas de estrada. Tranquilo.  
O terceiro item é fazer um planejamento de preparação física e mental. Esse planejamento apenas intensifica o que eu já faço regularmente: caminhadas, corridas, pedaladas, musculação e meditação. A caminhada do sertão tem um trajeto de 186 km a ser percorrido em 7 dias, o que dá uma média de 26 km por dia. Essa é uma distância um pouco maior que a trajetória de minhas pedaladas 3 a 4 vezes por semana. Saio de minha casa, dou uma volta na Lagoa da Pampulha e volto para casa. Exatos 24 km. Meu planejamento é ir ampliando minha preparação física e um tempo antes da viagem fazer a volta na Lagoa a pé. Um bom teste.  
Mas, sem mais nem menos, um pequeno problema surge. Nesse sábado, 25 de maio, eu estava participando de uma feira em Contagem, vendendo livros, quando sofri um pequeno acidente. Ao final da feira carregava livros e mesas de volta para a caminhonete quando pisei em um buraco da rua e torci o tornozelo. Inchaço imediato e dores fortes. Ainda bem que longe da data da viagem e com tempo de sobra para melhorar. Comecei ontem mesmo o tratamento e hoje, um dia depois, o local já está bem menos inchado. A preparação continua e enquanto não posso voltar à caminhada e corrida, faço exercícios de musculação para braços, troncos e alongamentos. E meditação, claro. Vamos em frente.  

sexta-feira, 24 de maio de 2019

20190524: O CAMINHO DO SERTÃO – NARRATIVA 01



UHHUUUUU! Fui selecionado para participar do Caminho do Ser-Tão: De Sagarana a Grande Sertão: Veredas. “Uma imersão sócioecoliterária no universo de Guimarães Rosa. Entre sol, areia, mitos, realidades, sorrisos, abraços e um encharcar-se de sertão” (https://caminhodosertao.com.br/). Fiz a inscrição no site, enviei pelos correios uma Carta de Declaração de Afetos e aguardei ansiosamente o resultado. Mais de 400 inscritos e 80 foram selecionados. Maravilha.
Serão em torno de 180 km de caminhada em 7 dias. E antes mesmo de sair o resultado eu intensifiquei a minha preparação física e mental para o acontecimento. Corro, pedalo, caminho, faço ginástica e musculação todos os dias. E entro de cabeça no universo da literatura de Guimarães Rosa. Eu já li vários de seus livros, eu escrevo poemas baseados nesta releitura de Rosa, mas a partir de hoje esse universo roseano passa a ser minha alimentação cotidiana.
Como já fiz em outras viagens (Londres-Paris no Pedal e Passeio na Patagônia), minha intenção é tecer um relato sobre a viagem e sobre a minha percepção da mesma: pessoas (principalmente) e lugares serão objetos-personagens desta narrativa que se inicia hoje. Aqui vão os dados da caminhada:
TEMA: DIÁLOGO – tempo para a escuta do outro
DATA: de 06 a 14 de julho de 2019
INÍCIO: Vila de Sagarana, município de Arinos/MG
FINAL: município de Chapada Gaúcha
TRAJETO: Vila de Sagarana, Morrinhos, Vila Bom Jesus (igrejinha), Fazenda Menino, Barra da Aldeia, Serra das Araras, São José do Barro Vermelho, Vão dos Buracos, Chapada Gaúcha.
Fiz a lista de checagem e o primeiro ponto é o Atestado Médico. A consulta com minha médica está marcada.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

A Ciência pode ser mostrada na poesia?



Segundo o escritor e astrônomo brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, recentemente falecido, “O melhor método para conhecer a cultura científica em determinada época é estudar as obras literárias e/ou publicações não especializadas que se utilizavam do conhecimento científico ensinado nas universidades naquele período”. E ele afirma isso em seu livro Astronomia em Camões, editado no Rio de Janeiro pela Lacerda Editores em 1998. Ele mostra, em seu livro, que o grande escritor português Luiz Vaz de Camões foi o primeiro escritor do hemisfério norte a descrever, em seus poemas, a constelação Cruzeiro do Sul, já que ele participou das navegações portuguesas no final do século XV. Desde então tivemos várias publicações literárias como romances, contos e poesias que descrevem, mesmo que indiretamente, o conhecimento científico da época de sua publicação.
Na poesia brasileira, em particular, podemos ver isso em vários autores. Augusto dos Anjos fala de Química em seu poema Psicologia de um Vencido; Murilo Mendes escreve sobre o caos em seu triste poema Estudo para um Caos; Vinícius de Moraes escreveu a Bomba Atômica; Cecília Meireles também não fugiu a temas de Ciência em Máquina Breve; Gilberto Gil musicou o poema de Arnaldo Antunes chamado A Ciência em si, etc. São muitos os casos, embora pouco divulgados e comentados, mesmo nas aulas de Português e Literatura. Por essa razão eu tenho estudado o tema da Ciência na Poesia e parte desse estudo eu tive a oportunidade de apresentar a alunos de Ensino Médio e Superior no CEFETMG em um seminário sobre Ciência e Poesia. Sobre o tema escrevi e publiquei o poema que segue.

POESIA E CIÊNCIA - Paulo Cezar S. Ventura

Poesia é ampliação da linguagem:
existe para avançar seus limites
explicar o inexplicável
exprimir o inexprimível
prolongar o alcance das inteligências
abrir janelas do universo extensível
antecipar o avanço das ciências.
Entendemos os amanhãs
lendo a poesia de hoje.


Paulo Cezar Santos Ventura
Rolimã Editora Ltda – rolimaeditora@gmail.com 


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

PALAVRA DO DIA: PROFESSOR



Eu escrevo para procurar inspiração para escrever. Aquela história de que toda atividade humana segue a regra do noventa por dez é verdade. Noventa por cento de transpiração e dez por cento de inspiração. Eu poderia transformar a frase para colocá-la de uma outra forma, talvez mais erudita: noventa por cento de conhecimento e dez por cento de sabedoria, considerando que sabedoria é aquilo que você vai fazer com seu conhecimento. Ou que a gente só inova em cima do comum que já se conhece. Portanto não despreze nunca seu conhecimento pensando que ele não serve para nada. Vejam, já estou sendo professor, de novo.
É muito comum ouvirmos que muito do que se aprende na escola não serve muito. Ledo engano. O que se aprende faz parte de sua história, de sua bagagem cultural, e será muito importante nos momentos em que nos encontramos nas encruzilhadas das escolhas várias que fazemos todos os dias. A sua bagagem, a “mochila” (metafórica) que carrega nas costas, ajuda a definir estas escolhas. E o que temos dentro de nossa “mochila”? Conhecimento acumulado, cara, leituras mil dos livros e dos ambientes, transpiração. A “mochila” pesa? Tem importância não. Se ela pesa a gente transpira mais e chega rápido aos dez por cento requerido para a criação, para a inovação. No meu caso, para o texto escrito. Para a poesia.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

MÃE, PALAVRA DO DIA


A palavra do dia é mãe. É a palavra colocada no Facebook, grupo #quintal, onde sugerem que os membros escrevam e postem textos, de preferência microcontos, em que palavra do dia apareça. Então visito minhas páginas na web, em três blogues, e vejo o que já escrevi antes sobre a tal palavra.  
Sim, já escrevi sobre mães, já escrevi sobre minha mãe. Minha melhor forma de escrever é em versos, sou poeta. Não desses que decoram os próprios textos e saem declamando-os por aí. Não tenho essa tal de memória viva, preciso ler meus textos quando os declamo em público. Talvez seja um problema, talvez não. Penso que nunca seria ator.  
Mas mãe não é só uma palavra, mãe é uma entidade. Definidora de nossa identidade em tempos de criança, de quem nos afastamos quando ficamos adultos e de quem nos reaproximamos quando ela envelhece e nós nos tornamos sêniores. Foi assim com a minha. Aos dezoito anos tudo que eu queria era ir para bem longe de meus pais, Assim o fiz. E casei-me com uma mulher que fazia questão de ficar longe deles. Até que um dia peguei minha escova de dentes de minha bicicleta e saí de casa. Não voltei para a casa dos pais, apenas me reaproximei deles e isso foi muito bom. Cuidei bem de meu pai em sua velhice e agora tento cuidar de minha mãe o máximo possível.  
Minha mãe, no entanto, é uma pessoa distante. Ela quer que estejamos todos a seu redor, cuidando dela, mas a maneira que ela se coloca perante a situação de sua velhice, faz com que esse cuidado seja uma obrigação nossa, não um prazer compartilhado. Defeito dela? Não sei. Se for, tenho que relevar. Afinal ela tem noventa e dois anos. A gente pensa que uma pessoa dessa idade não tenha defeitos. Não é verdade. Seus defeitos ficam mais aflorados, enquanto ela, por sobrevivência, cala seus sentimentos. Não é mais hora de sofrimento. Afinal, ela já sofreu muito na vida, pois não tem vida sem sofrimento. Pelo menos minha mãe tenta levar a vida com um mínimo de alegria. - “Eu sou enrugada só por fora, por dentro ainda sou lisinha”. E conta aqueles casos de sua vida, alguns engraçados, outros tristes, mas que ela conta com uma certa graça. Aqueles casos que nós, seus filhos, já ouvimos umas cem vezes, mas rimos do mesmo jeito a cada vez. Nem sei se hoje rimos por achar engraçado ou se rimos de sua falta de memória ao nos contar o mesmo caso pela centésima vez como se fosse a primeira. O mais interessante é que ela conta do mesmo jeito, sempre, com todas as vírgulas e pausas para respiração nos mesmos lugares da narrativa. Incrível. Como se tivesse decorado. Como se estivesse no palco de um teatro e aquela cena precisasse ser ensaiada mais e mais vezes até chegar à perfeição de interpretação. E nós fôssemos a eterna plateia.  
Mas ela é uma atriz. Suas últimas performances no palco foram excepcionais. Os únicos momentos em que sua surdez progressiva não a incomodava. Como fazer para não errar seus momentos de entrada e fala em cena? Perguntei-me uma vez. E fui para a coxia investigar como ela fazia. Foi quando descobri que surdez é também um caso de atenção. Ela decorava todo o texto, não apenas suas falas. E ficava na porta do palco atenta às falas e atuações dos colegas. E repetindo as falas em voz baixa. Assim, quando chegava sua vez, ela entrava em cena sem erro. Danadinha. E era espirituosa, elegante e ativa em cena. Quando um colega errava ela improvisava impedindo assim que o público percebesse o erro do colega ator ou atriz. Era querida por todos. Quando o grupo de teatro encerrou as atividades por envelhecimento dos atores e, talvez por isso, falta de patrocinadores, ela se amotinou em casa. Não quis mais sair de casa. Só por insistência nossa. E aí a surdez foi tomando conta, até escutar apenas o mínimo. 
Coincidentemente, estou sentado aqui frente à tela esperando a hora de ir ver minha mãe. Espero a funcionária da casa verificar o que falta na geladeira para que eu compre antes de ir. É que levo minha filha, meu genro e meus dois netos (seus bisnetos, portanto) para visita e almoço. Sendo hoje segunda-feira, dia de geladeira vazia, devo me preocupar com o abastecimento.  
Dia de prazer em triplo: mãe, filha e netos. E que venha a semana que eu estou pronto. 

sábado, 8 de dezembro de 2018

ESCURO

Essa semana vivi uma experiência inesperada e interessante que contribuiu muito para eu compreender um pouco mais do que seja percepção. Cheguei em casa à noite, por volta de vinte e duas horas e os moradores da casa, meus filhos, já dormiam. Apenas a luz do corredor de entrada da cozinha estava acesa. Fiz meu lanche, abasteci-me de água e apaguei a luz para subir a meu quarto. Então percebi que todas as luzes da casa, de todos os três pavimentos, estavam apagadas. Se eu quisesse luzes acesas deveria subir até o andar de cima, acender uma lâmpada e descer de novo até o andar de baixo para apagar a aquela deixada acesa e subir de novo. Mas havia um pouco de claridade vinda da rua, da iluminação pública. Eu poderia subir sem problema. Foi então que tomei uma decisão: a de manter os olhos fechados enquanto subia as escadas. Afinal, eu conhecia bem meu caminho, quantas vezes por dia eu o faço! 

Subi devagar, de olhos fechados, segurando o corrimão e tentando sentir cada passo, cada som que ouvia e cada corrente de ar que chegava até mim. Quando cheguei à porta de meu quarto tomei outra decisão: manter os olhos bem fechados e continuar. Eu precisava escovar os dentes, tomar banho, enxugar-me, vestir-me, pentear-me, passar creme hidratante no corpo, colocar o telefone para carregar sua bateria, beber água e, finalmente deitar-me. E resolvi fazer tudo isso de olhos fechados. Toda a operação, bem-sucedida, não durou mais que vinte minutos. E foi uma sensação muito boa. Sensação de cuidado de mim, de capacidade de sentir, de escutar e de fazer o que sempre fazia sem prestar muita atenção. 

Essa foi uma experiência de estar presente e ligado naquilo que fazia no exato momento. Sem pensar em mais nada. Irei repetir essa experiência sempre.

O PROCESSO DE ESCRITA DO LIVRO “SABERES OCULTOS ENTRE MONTANHAS”

Escrevo poesias desde meus quinze anos. O mote para começar foi a leitura que fiz do poema Se, de Rudyard Kipling e pensei que poderia escre...