terça-feira, 24 de março de 2020

RETROSPECTIVA BEM HUMORADA 02


Briga com irmãos: quem tem 8 irmãos tem que impor respeito.
Surra de pai: não cabe nos 100 dedos de pés e mãos.
Briga com vizinho: Na rua, meu caro, quem não bate apanha.
Primeiro emprego: aos sete anos vendia verdura na rua e ganhava comissão pela venda – uma lambada se não vendesse tudo.
Primeira poesia: quando ganhei o primeiro beijo na boca.
Primeiro beijo: aos sete anos (não foi na boca) de coleguinha de sala.
Primeira trepada: sua pele era de ébano e foi debaixo de um caramanchão.
Primeira visita na zona: aos sete anos, vendendo verdura.
Música que assobio no chuveiro: submarino amarelo.
Brincadeiras de menino: carrinho de rolimã, futebol, papagaio.
Grandes amores da juventude: Katherine Ross e Marília Pera.
Namorada perdida: quando eu voltar de férias vou pedir aquela garota para namorar comigo.


RETROSPECTIVA BEM HUMORADA 01


Filhos:  4
Livros: 4 publicados, uns 10 no prelo e uns 20 planejados
Árvores: uma florestinha inteira
Osso quebrado: uns dez, só lembro deles na chuva de lua cheia quando todos doem ao mesmo tempo.
Tornozelo torcido: como fui peladeiro de toda semana, já aconteceu N vezes.
Namoradas: não contei não.
Projetos inacabados: centenas.
Primeiro carro: um Passat 1974.
Tombos de bicicleta: como pedalo desde os 15 anos, imagino que uma porrada.
Banho pelado de cachoeira: uma delícia até o dia em que quase perdi o saco por não o segurar com a mão ao pular do alto da cachoeira.
Praia de nudismo: só fui uma vez.
Susto no avião: uma vez, chegando em Floripa em tarde de tempestade; outra vez, chegando em Ilhéus ao perceber o tamanho e a localização do aeroporto à beira mar.
Sexo no avião: nunca
Sexo em viagem de ônibus: entre São Paulo e Juiz de Fora, e entre Belo Horizonte e São Paulo.
Sexo na praia: que saudade de Nova Almeida/ ES.
Susto na estrada: quase morri uma vez, em viagem de Belo Horizonte a Viçosa. E muitos outros sustos menos assustadores.
Aventura 01: pedalada entre Londres e Paris – 420 km em 7 dias.
Partos: nunca assisti a nenhum, eu caia no sono na hora do nascimento de meus filhos.
Arrependimento 01: comer pão de queijo em lanchonete em Manaus. Jeito de mineiro viver perigosamente.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

MEIA SETE


Meia sete. Parece o ano daquele fusquinha que fez sucesso entre os garotos de minha idade, mas lá pelos anos oitenta, noventa. De vez em quando a gente ainda vê um fusquinha meia sete, ou meia oito. Meia oito foi o ano do AI-5. Terrível. Em nome dessa loucura muita gente boa foi presa e algumas mortas simplesmente por não concordarem com o regime vigente. E tem umas bestas inumanas que querem reviver essas loucuras. Em nome de quê? De um patriotismo besta? De privilégios para alguns às custas da miséria de outros? Isso é assunto para mais de metro. Comecei a escrever aqui para falar de minha idade. Meia sete. É que hoje é meu aniversário. Estou sossegado em casa. Devo ter conversado com no máximo umas cinco pessoas hoje. Mudei de endereço e trabalho para dar uma mínima organização a meu esconderijo novo. E também porque recomeço a vida. Novo lugar para morar, novas pessoas em minha vida, nova forma de conduzir o trabalho e, espero, melhores resultados. Minha vida tem sido caótica, totalmente aleatória, um verdadeiro movimento browniano. Ainda bem que Einstein desvendou os enigmas do movimento browniano, então nem posso falar mal dele. Quando jovem eu queria ser gente grande, com grana, com sucesso. Lá pelos anos meia sete eu, com quinze anos, entrei para o que hoje denominam de ensino médio, fui logo convidado para ser tesoureiro da união novalimense de estudantes secundários, nos reuníamos aos sábados à tarde no Liceu de minha cidade. Não durou muito, o tal de AI-5 caçou nossa associação, nos colocou na clandestinidade e, jovens que éramos em uma cidade cheia de delatores (nem premiados eram), desistimos de continuar. Minha iniciante vida política se esfacelava logo de saída. E meu pai, vigiado que fora por ser sindicalista, impediu que seus filhos se enveredassem pela política. Teve medo por nós. Só desabrochou minha verve política de esquerda mais tarde, bem mais tarde, quando fui parar na universidade. E hoje, com os malucos que temos no poder, a luta retoma seus momentos mais cruciais. Temos que lutar por nossos parcos direitos adquiridos. Ainda nem sabemos o que é democracia e temos que reunir forças para mantê-la, aos pedaços que seja, em fragmentos, ora bolas. É o que temos.

Meia sete. Que número feio! E minha cara começa a mostrar as marcas do tempo, em forma de rugas, pelancas, manchas, flacidez. Uma barriguinha bem cuidada com muita ginástica insiste em sair de sua forma ondulada e tomar a forma arredondada. E a memória, essa danadinha, cisma de me abandonar nos momentos mais importantes. Justamente quando estou na presença, que muito me alegra, daquela pessoa que não vejo há algum tempo e seu nome desaparece no meio de minha barafunda mental. Quanto ao sexo, nem falo nada. Meu pênis adquire vontade própria e quando a vontade dele coincide com a minha é uma festa. Estou reaprendendo a transar. Emagreci uns quilos, mudei a alimentação, mais saudável agora, bebo menos hoje, caminho, pedalo, faço musculação, leio muito, escrevo bastante, tenho uma boa parceira, etc. e tal. Tento me manter informado e conectado com o mundo, ouço música boa, assisto filmes. Tudo isso para envelhecer com dignidade e autonomia, pois como disse Rita Lee, não é para os bananas, é para os fortes. Então, forte quero ser.

Meia sete. Quando encontro pessoas de minha idade eu fico, muitas vezes, chateado em perceber que a vida não é muito camarada para alguns. Vida sofrida? Trabalho demais? O que faz com que alguns envelheçam mais rápido ou mais devagar que outros? Porque eu também trabalho muito, dei muito duro na vida, nada foi fácil para mim. Uma vez encontrei um colega que não via havia tempos, ele me olhou nos olhos e disse quase com raiva. Você não envelhece porque sempre foi um irresponsável. Aquilo me chocou um pouco de início, mas depois fiquei me colocando no lugar e refutei a afirmação tão assertiva dele. Irresponsável uma ova! Sempre tive muitas responsabilidades e penso que dei conta delas. O que sou, na verdade, é bem humorado, alegre mais que na medida do possível, e nunca me deixei levar pelo pessimismo, pela tristeza, pelas palavras cheias de negatividade. Minha mãe ensinava, quando eu era criança, que não devia falar de desgraças porque desgraça sempre atrai desgraça. Segui seus conselhos. Muitos anos depois, em Paris, eu ouvi a escritora Lígia Fagundes Teles discursando, em francês, que devemos ter cuidado com as palavras. Elas têm uma força muito grande e alteram a vida daqueles que as pronunciam. Minha mãe é uma sábia. A fonte da juventude está, deduzo, em ter pensamentos e ações positivas, alegres, que espalhem sorrisos nos olhos dos outros. Mas aí reside também uma contradição importante. Eu espalhei também muita tristeza na vida de pessoas, principalmente de pessoas que eu amei e amo.

Meia sete. Nesse tempo todo quantas tristezas e lágrimas fiz derramar em olhos alheios? Quantos sorrisos consegui desenhar nas bocas de pessoas conhecidas e desconhecidas? Não se trata apenas de números, mas de profundidade. Uma tristeza profunda apaga quantos sorrisos? Esta conta é simplista assim? Não creio. Espero apenas que as pessoas tristes me perdoem. Que as pessoas tristes por minhas ações me perdoem em dobro. E que as outras sorriam quando me virem flanando na rua com meu rosto sereno. Porque sereno eu sou.


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

CATÁSTROFE

Resolvi voltar a escrever minhas páginas diárias bem cedo, ao amanhecer, porque preciso reavivar aquela verve de escritor que estava se apagando dentro de mim. Eu sou um escritor. E o que faz um escritor? Ora, um escritor escreve. E eu estava planejando muitos textos, muitos poemas, muitas crônicas, e deixando me levar pelos acontecimentos do dia, me deixando envolver pelas mazelas do cotidiano e perdendo meu foco. 

Escrever apenas as palavras do dia, em páginas de microcontos, como o #quintal e #microcontosfatimaflorentino, é interessante, mas não suficiente. O curso de criatividade que eu fiz me propunha escrever à mão três páginas diárias. Eu escrevo com o que tenho a meu dispor. Se tenho um computador disponível, escrevo usando-o. Se não tenho, bom, sempre tenho um caderno ou um bloco de notas à mão. 

A palavra sugerida pelo grupo #quintal, ontem, não poderia ser mais oracular: catástrofe. E, na hora do almoço, em uma cantina abaixo da represa, seu rompimento pegou a todos de surpresa, naquele sagrado momento de alimentar-se. Quantos mortos? Creio não saberemos. Porque tem a morte imediata daqueles que ficaram soterrados na lama e tem a morte aos poucos daqueles que muito perderam nesse dia: casa, sítios, animais, parentes, esperança. Essa é uma morte ainda pior que a outra.

Sem o imposto da mineração, Minas Gerais seria bem mais pobre que está sendo nos últimos anos. A nossa economia vem se baseando na mineração e no agronegócio de café e gado. Muito pouco para um estado tão grande, com mais de oitocentos municípios, a maioria deles dependente de repasses de verba do governo federal. Isso mostra que tem algo errado. Muita coisa errada, aliás. Primeiro, um município é sempre um sumidouro de recursos que servem apenas para pagamento da máquina administrativa. No Brasil um prefeito, secretários e vereadores, e as instituições que os congregam, têm um custo muito alto. Segundo, o imposto arrecadado nos municípios, em função de sua produtividade, vai primeiro para Brasília para depois voltar aos municípios. Por que o dinheiro arrecadado vai primeiro para o Brasília para depois ser redistribuído? Sim, há a componente de sobrevivência dos municípios pobres, é uma questão de redistribuição de renda. No entanto, há diversas maneiras saudáveis de fazer isso. E de fazer as máquinas executiva, legislativa e judiciária ficarem mais baratas. 

Tudo isso é também uma questão de cultura. Nossa cultura é centralizadora. Estamos acostumados a sermos mandados por um feitor que deve nos dizer sempre o que fazer e como fazer. Temos uma necessidade de obedecer a um governo central, a um todo poderoso presidente da república, quem deve nos dizer como viver. Essa questão cultural é herança dos monarquistas, dos escravagistas, dos latifundiários, antigos donos do poder.
  
O fato é que eu estou ao mesmo tempo puto e envergonhado. Nossas pequenas ações não servem para nada. É chegado o momento de grandes intervenções, de ir para a rua e gritar nossa indignação. Se é que temos alguma, ou será que apenas consideramos que esse é um bom momento para fazermos caridade? 

Que tal pensar um pouco para variar? 
E aqui fecho minha escrita matinal.  

terça-feira, 1 de outubro de 2019

AUTOBIOGRAFIA DE UM HOMEM VULNERÁVEL XXXVI

PRIVADO


AUTOBIOGRAFIA DE UM HOMEM VULNERÁVEL XXXV


Quase cinquenta anos depois venho a público fazer uma confissão. Com autorização de quem? Não preciso esclarecer que essa autobiografia continua desautorizada. Significa que não me responsabilizo por aquilo que escrevo aqui nessas páginas. Mas a confissão é necessária, absolutamente. Como entrei para um grupo de pessoas que me cobram lealdade poética (pensei que fosse liberdade poética, mas essa é obrigação de escritores: serem livres) pensei ser de bom alvitre fazer essa confissão. Eu dormi com Marília de Dirceu. Uma noite inteira.  

- Como assim? Leu alguma coisa sobre os inconfidentes mineiros e sonhou à noite? - Não, cara. É verdade. Eu dormi com Marília de Dirceu. Juntinhos, coladinhos. - Ah, então é com alguma jovem mulher com o mesmo nome da musa! - Não, cara. Eu dormi com a musa dos inconfidentes.  - Penso que você está ruim da cabeça. Há dois séculos de diferença. Você viajou no tempo? Ou viajou nas drogas? Explica melhor essa história!  

Pelo menos você se interessou. Eu estava com dezessete ou dezoito anos, naquela idade em que você está pronto para cometer inúmeras loucuras. Era festival de inverno em Ouro Preto e eu fui para lá juntamente com uns amigos de escola. Fomos nos divertir mais que aprender alguma coisa no festival. Passeamos pela cidade, assistimos vários shows programados para a ocasião, bebemos e fumamos e procuramos garotas para namorar. Garotas não encontramos, mesmo assim divertimos. Mais tarde entramos em um bar e nos acomodamos bem no fundo do mesmo para passar a noite. O dono do bar autorizou a estadia no estabelecimento, desde que fosse sem confusão e com um pequeno pagamento. A notícia deve ter se espalhado entre os desabrigados de fora, turistas sem paradeiro fixo, pois o fundo do bar ficou cheio. Ele baixou a porta e uma turma ficou lá dentro. 

Eram tempos difíceis, cara. Ditadura militar. A cidade estava infestada de milicos, de dedos duros, de espiões do governo, etc. Obviamente eles ficaram sabendo da presença de hippies (assim éramos chamados) cabeludos, com roupas estranhas, maconheiros. Mesmo sem fumar maconha éramos carimbados como maconheiros. Afinal, o que fazíamos na cidade se nem participávamos do festival de inverno? 

E esses caras não brincavam em serviço. Não se pode confiar em polícias em tempos de ditadura, absolutismo, fascismo, etc. Policiais são treinados para a grosseria, para a truculência. E nessas épocas eles se sentem uns deuses.

Madrugadinha feita, o frio de julho baixa sem dó naquela cidade úmida e entre montanhas. E baixa também a polícia no loca, abre repentinamente a porta do bar e começa a pegar um por um e colocar no camburão. Encheu o camburão. Foram levar para a delegacia aquele grupo e disseram que voltariam para levar o resto. Deixaram um soldado de plantão no local, mas eu e meus amigos, que não fomos levados na primeira remessa, conseguimos driblar o milico e fugimos. Uma correria só. Ele deixou passar, não iria sair correndo na rua atrás de jovens fujões. 

- E onde entra a Marília de Dirceu? 

A primeira porta que encontrei aberta era a casa dela. Entrei sem mesmo saber onde entrava e logo fui procurar uma cama para me deitar. Àquela altura da noite eu já estava cansado à beça para escolher cama. Aliás, escolhi sim. Eu vi na cabeceira da cama o nome Marília de Dirceu. Como eu já fazia poses de poeta, pensei: é aqui mesmo, com a Marília, que dormirei. Enrolei-me em meu saco de dormir, recitei um poema de minha safra para a Marília (afinal, ela estava acostumada a ouvir recitais e saraus) e dormi depois de pouco tempo.  

- E quem era essa Marília? Como ela deixou você passar a noite ao lado dela? - Primeiro, não foi ao lado dela. Foi em cima dela. Segundo ela estava morta. - Dormiu com uma defunta? 

Sim. Em cima de sua lápide no cemitério atrás do Museu dos Inconfidentes, em Ouro Preto. E acordei com aquela fina névoa invernal ouropretana caindo em meu rosto. E com um frio do cão. A Marília, ou seus ossos, estavam abaixo de mim. Mas eu fiz uma escolha de leito. Dormi ao relento, mas escolhi dormir com a Marília de Dirceu. 

No outro dia, passamos mais um dia na cidade, vivendo música e teatro. A fim de tarde, a mãe de um dos colegas foi nos buscar. Ficou sabendo de nossa aventura e nos trouxe de volta para casa. De Kombi. Afinal, éramos uns seis idiotas vagabundos.  

AUTOBIOGRAFIA DE UM HOMEM VULNERÁVEL XXXIV


Um dos exercícios que preciso fazer para eliminar certas crenças enraizadas em meus pensamentos íntimos e negativos é afirmar constantemente os meus resultados adquiridos na vida, as coisas que eu construí durante a minha existência para ter sempre a certeza de que eu sou capaz, eu sou poderoso, eu sou o máximo. Sim, eu sou capaz, eu sou poderoso, eu sou o máximo. Por isso, uso este espaço de minha autobiografia desautorizada para autorizar-me (apenas eu tenho o poder de fazer isso) a relatar as grandes e boas coisas que fiz na vida e dizer ao mundo: eu tenho a força; a força está comigo, eu tenho o poder, eu sou o máximo. Porque realizei grandes coisas. O relato a seguir não é apenas uma lista de realizações, mais que isso, é uma reverência a meus fazeres.

Hoje eu sei que o grande poder das realizações está nas ações. Parece redundância [realiza + ações]. E ações estão ligadas aos afazeres, ao “levanta da cadeira e vá fazer alguma coisa”. Sempre fui mais parado que o necessário, mesmo assim fiz grandes coisas. Quando garoto ainda eu trabalhei em uma lavoura junto com meu pai. Arrendamos um terreno brejoso próximo a nossa casa e fomos plantar. Era um vale com um grande brejo no meio, mas vimos que a água era de nascente no local e de boa qualidade. Então fizemos um canal para escoamento da água para um córrego vizinho com uma tampa que nos permitia barrar o fluxo de água, formando uma pequena represa, o que nos garantia água pura e em quantidade suficiente para regar nossa plantação. E ali plantamos inhame, mandioca, beterraba, cenoura, batata baroa, e outros legumes. No quintal de nossa casa plantávamos verduras e tomates. Com isso tínhamos sempre o que complementar o arroz, o feijão e o macarrão de todo dia. E crescemos fortes e saudáveis. A venda dos produtos na rua nos aportava um dinheiro a mais que garantia as compras de roupas, sapatos e cadernos para os estudos. Essa foi minha primeira grande realização.

Na escola eu me garantia e tinha ótimas notas. Era conhecido como aluno inteligente e com isso fiz alguns amigos que se interessavam por mim. Outros, é claro, só queriam que eu lhes passasse cola nas provas. Foi minha inteligência, entretanto, que me fez crescer na vida e passar no vestibular de Física antes de completar dezoito anos. Meu segundo grande feito foi fazer uma faculdade no tempo certo, trabalhando, sem receber um tostão dos pais. Tive minha independência aos dezoito anos. E o trabalho sempre bateu à minha porta. O estudo definiu minha profissão: professor desde os dezoito anos. E passei nos concursos que fiz: professor na Universidade Federal de Viçosa em mil novecentos e setenta e oito; aluno do mestrado em mil novecentos e oitenta e um; professor na PUCMG em mil novecentos e oitenta e sete; professor na Universidade Federal de São João del Rei em mil novecentos e oitenta e nove; professor no CEFETMG em mil novecentos e noventa e três; aluno de doutorado na Universidade de Paris XI em mil novecentos e noventa e seis e na Universidade de Borgonha em dois mil, doutorando-me em dois mil e um. Sou doutor e doutorei-me com louvor. Uma grande plateia veio assistir à minha defesa de tese. Grandes realizações.

Como professor eu ajudei a formar muita gente. Não tenho a conta de quantos alunos eu tive na vida. Foram quarenta anos de magistério, com uns duzentos alunos por ano, em média, somando oito mil alunos, no mínimo (penso que avalio por baixo). Entre eles, tive uns cem alunos de especialização, outros tantos de mestrado, dos quais orientei vinte e cinco, e participei de cinquenta e uma bancas de mestrado e doutorado. Nos cursos técnicos, de graduação e pós devo ter orientado uns mil projetos diferentes. É ou não é um grande somatório de realizações?

Nos trabalhos de consultoria eu também ajudei bastante a muitas pessoas, escolas e secretarias de educação. A minha participação em projetos do CAED de Juiz de Fora foi muito profícua, permitiu-me aprofundar em questões curriculares importantes que hoje são afirmações de políticas públicas na educação. Publiquei uma dezena de artigos, escrevi uma dissertação de mestrado, uma tese de doutorado, publiquei três livros. E hoje trabalho como consultor e editor. Como coach já ajudei uma dezena de pessoas a realizarem seus desejos de crescimento.

Na vida pessoal, eu não posso me gabar tanto, mas tive dois filhos, cuidei de outros dois, construí uma casa de duzentos e cinquenta metros quadrados, onde morei por quinze anos, e tenho ainda um apartamento de oitenta metros quadrados em um local valorizado. Tinha uma esposa de temperamento difícil, mas que gostava de mim. Separamos, mas isso é outra história. Mais culpa minha que dela, fui negligente no casamento. Tenho muitos amigos queridos e várias pessoas me acompanham nas redes sociais. Posso afirmar, com certeza, que realizei muito.

O PROCESSO DE ESCRITA DO LIVRO “SABERES OCULTOS ENTRE MONTANHAS”

Escrevo poesias desde meus quinze anos. O mote para começar foi a leitura que fiz do poema Se, de Rudyard Kipling e pensei que poderia escre...