Amadurecimento e envelhecimento saudáveis são possíveis. As dores e os amores ao envelhecer são temas do autor ao escrever sobre seu próprio envelhecimento, com humor e conteúdo. Sigam o “blog”. Algumas boas ideias podem aparecer.
sexta-feira, 22 de outubro de 2021
domingo, 3 de outubro de 2021
QUAL FOI O ÚLTIMO FILME RUIM A QUE ASSISTIU?
Hoje a gente escolhe os filmes que quer assistir nas plataformas
online de cinema. Eu também faço isso. E escolho no Netflix e YouTube Filmes.
Sempre tem filmes bons nessas plataformas. O Netflix é pago e barato pela
quantidade de filmes e séries que assisto. No YouTube tem alguns filmes
gratuitos e outros pagos. Mas valem a pena. Ir ao cinema é algo que há tempos
não faço. Primeiro devido à pandemia. Evito aglomerações. Nesta data de hoje,
apesar da vacinação e da abertura gradual dos locais de eventos eu ainda prefiro
ficar na minha.
Apesar da facilidade de escolhas, ainda faço escolhas
erradas. A propaganda nem sempre condiz com a real qualidade do filme. Pelo
menos, nas plataformas posso desistir, sair da sala e escolher outro. Minhas
escolhas são os filmes de ação, de ficção científica e alguns reflexivos. As séries
de minha preferência são as boas séries policiais e outras que fogem
completamente do senso comum. Não farei nenhuma publicidade aqui, não é o
caso. Minhas escolhas são minhas e de quem está comigo. E pronto.
sábado, 11 de setembro de 2021
O QUE EU TENHO A PERDER?
Esta é uma boa pergunta. Afinal o que eu ainda tenho a perder a esta altura de minha vida, aos sessenta e tantos anos, além de me perder de mim mesmo? Posso responder a essa pergunta partindo de variados aspectos de minha vida, de ontem e de hoje. Primeiro, comentamos sobre o tempo: sou um homem muito saudável, não tenho e nunca tive doenças complicadas, nem tomo medicamentos, só algumas vitaminas. Tenho uma mãe de noventa e cinco anos que também não toma medicamentos. Está velha, em alguns dias levanta-se com dores nas pernas, mas creio ser apenas uma leve depressão, normal para a idade, ou uma artrose própria da velhice. Nesses dias ela gosta de ficar na cama. E só a esta altura de sua vida começa a perder a memória, não a lucidez. Significa que, do ponto de vista do tempo, eu ainda posso ter uns vinte e cinco a trinta anos de vida pela frente. E se eu continuar me cuidando e, seguindo as práticas saudáveis para o bom envelhecimento, eu posso chegar lá. Quero cuidar desse tempo que ainda tenho pela frente. Quero ganhar mais tempo. E não perder tempo, a esta altura da vida, é não fazer o que não quero. Não devo nada a ninguém, então uso meu tempo como quiser. E quero usar o tempo a meu favor.
Em segundo lugar, eu
gosto de escrever e desde adolescente eu sonhava em ser escritor. A vida me
levou para outros caminhos, precisava trabalhar em algo que me garantisse a
sobrevivência logo. Aos dezoito anos meu pai me deu um
“se vira, malandro”,
ou seja, a partir dali eu estava por minha
conta. Logo fui chamado para ser professor e segui essa carreira por mais de
quarenta anos. Comecei a lecionar aos dezoito e parei aos sessenta e um anos.
Foi um belo trabalho, eu sei, não o faço mais. Agora conto histórias de outras formas:
principalmente escrevendo. Se terei público eu não sei, mas quero continuar
contando histórias enquanto eu for vivo. Quero manter e aumentar estas
oportunidades. Essa motivação eu a manterei a todo custo.
Terceiro, eu tenho
muitos afetos. A dar e a receber. Tive dois casamentos que
fracassaram por inabilidade minha, por culpa minha, embora não exclusivamente.
Já perdi o afeto delas e no caso da segunda esposa, perdi também o afeto dos
filhos dela, a quem ajudei a criar, na vida de quem tive uma enorme
participação. Hoje tenho dois filhos, dois netos, ainda uma mãe, vários
irmãos, sobrinhos e alguns bons amigos. E uma nova companheira e uma nova enteada.
Minha nova companheira é uma mulher muito carinhosa, alegre e dedicada. Quero
tê-los a meu lado. Todos. Quero ter todos os afetos comigo. Por perto, se
possível. E, se estiverem longe fisicamente, que estejam perto, em minha mente.
Quarto, eu não tenho
muito dinheiro. Tenho uma aposentadoria que me garante a sobrevivência com
dignidade, mas deixei para trás, com minhas ex-mulheres, meu patrimônio
construído com muito trabalho. Não me importo muito com bens, meu maior bem é
minha vida. No entanto, eu poderia estar muito melhor financeiramente se
soubesse e me dedicasse a cuidar mais de minha vida financeira, ou, como dizem
hoje, de minha saúde financeira. Não fiz isso. Hoje as chances são ainda
menores de criar patrimônio. Só tenho como bens, poucas coisas, que cabem
no baú de um caminhão de mudanças. Só isso. Penso até em comprar um caminhão e
morar nele, tantas mudanças eu já fiz e ainda vou fazer. Então, quero manter
minha saúde financeira atual, por mais débil que ela seja. Eu ainda quero
ganhar dinheiro, ainda quero ter um patrimônio mais sólido.
Quinto, eu sou um
homem muito tranquilo, inteligente, de bom humor. Consigo sair de situações
complicadas da vida com elegância e sabedoria. Já me afundei muitas
vezes e, até hoje, consegui me levantar de novo. E consegui manter minha calma,
consegui manter meu olhar na busca da profundidade das coisas. E minha alegria.
Minha alegria, minha calma, minha inteligência são meus maiores patrimônios. Eu
resumiria isso definindo-me como um homem sábio. E isso eu quero manter,
sempre. Minha sabedoria. Essa ninguém me tira. E quero manter minha lucidez, para
manter minha sabedoria ativa.
Resumindo, tenho cinco
pontos, características, patrimônios, que quero manter sempre comigo e me
lembrar sempre de nunca me esquecer de me lembrar o quão importante essas coisas são: o tempo e a vida que ainda tenho pela frente, com saúde; as histórias
que conto e que ainda tenho para contar, em vários suportes diferentes, com
grande motivação; os afetos, todos os afetos que guardo comigo,
inclusive recuperar os afetos perdidos; minha saúde financeira, que
quero melhorar, sem dúvida; minha sabedoria, alegria e bom humor.
Simples? Sim, simples assim.
E o que quero com
esta narrativa que se inicia aqui? Quero viver uma experiência de vida na
maturidade. Aliás, quero viver. Muito, ainda. Meu objetivo é ter uma vida
longa e saudável e contar o que faço para isso, e em que eu aposto.
Convido leitores a acompanhar comigo esta experiência. O que devo fazer, ou até
mesmo perder, para ganhar uma vida longa e saudável? Perdas e ganhos, não é
isso?
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
AUTOBIOGRAFIA BREVE
Nasci grande, magrelo e feio, segundo minha própria mãe. Estava todo enrugado e minha pele só se desenrugou depois de uns dias. Já nascemos perdendo e ganhando. Sim, perdendo o calor do útero, perdendo a alimentação fácil, a atenção das pessoas àquela barriga bonita e redonda da mãe. Por isso nascemos chorando e provavelmente assustados? Por outro lado, ganhamos os olhares carinhosos e felizes dos familiares, o amor das pessoas. E eu nasci em um hospital de cidade de interior, bem cuidado. E saí para o mundo, pus os pequenos pés na estrada.
O inquieto do meu pai pediu demissão na empresa onde
trabalhava quando eu tinha apenas um mês. Trabalhou em uma
construtora de estradas no interior de Minas Gerais. Pé na estrada por aí afora. Em quatro anos eu provavelmente andei alguns milhares de quilômetros. Por
onde as máquinas iam, a gente ia atrás. De Belo Horizonte a Teófilo Otoni fomos
e voltamos várias vezes. Com algumas paradas em Rio Piracicaba (MG), onde meu
avô tinha uma pequena fazenda. Entre uma casa e outra pelos caminhos, parávamos
lá por vários dias, semanas, até por meses. Tenho boas memórias dessa época,
desde que um pequeno consiga se lembrar. E minha memória vai até os dois anos,
quando me lembro de uma casa perto de um aeroporto em Teófilo Otoni. Isso
porque, um dia, tivemos que correr da pista onde um pequeno avião pousaria.
Aos quatro anos, quase cinco, chegamos em Nova Lima (Minas
Gerais), quando finalmente meu pai parou de viajar. Eu nem havia completado cinco
anos, e nascera o quarto filho da família: uma menina. Foi quando moramos em
uma casa com quintal grande, por alguns meses, e depois mudamos para outra,
onde morei dos cinco aos vinte anos. E assim começa minha vida de perdas e
ganhos. Aos cinco anos eu começo a trabalhar. É quando meu pai começa
a me ensinar a ler e fazer contas e a cuidar da horta e do jardim de nossa
casa.
Esta é uma ótica interessante sobre como encarar sua
história de vida: enumerando perdas e ganhos ao longo do tempo. As perdas e os
ganhos acontecem todos os dias. Pequenas e grandes perdas e pequenos e grandes
ganhos, muitas vezes variando de posição conforme o olhar, dependendo do foco.
Algumas perdas se transformam em ganhos dias depois. O contrário também
acontece: quantas vezes pensamos que saímos ganhando em alguma empreitada, em
algum jogo, para depois percebermos que aquele ganho de ontem se transformou em
uma grande perda. Neste jogo da vida tudo acontece.
Aos cinco anos aprendi a ler. Isso me custou algumas horas
por dia sem brincar, algum tempo tendo que pousar os olhos naquelas letras
cabulosas e decifrar significados naquelas palavras que, naquele momento, podiam
não fazer sentido nenhum. “Eu me chamo Lili” era meu martírio. Porém, saber ler
tinha algumas vantagens. Quando chegava visitas em casa, meu orgulhoso pai me
pedia para ler para as visitas. E isso acabava em afagos das senhoras
visitantes. Aprendi a gostar cedo daquele carinho de seios das mulheres roçando
meu rosto. Perdas e ganhos.
Quando fiz sete anos e fui para a escola primária, os
cartazes da sala que devíamos ler até cansar, traziam as frases: “Eu me chamo
Lili”, que meus colegas suavam para soletrar até aprenderem a decorar as
palavras. Não sei se aprendiam assim. Novamente, que martírio! Pelo menos a
professora percebeu minhas qualidades de leitor e pediu-me que ensinasse os
colegas a ler os cartazes. Isso me valeu a admiração das meninas e ganhei uma
namorada. De nome Eliane. E que saia de sua posição do outro lado da sala e
vinha me dar um beijo quando a professora, por algum motivo, saia da sala.
Novos ganhos.
E o trabalho na horta de nosso quintal era outra atividade que
me tirava o tempo de brincar. Eu devia me agachar nos canteiros e arrancar com
as mãos todos os matinhos que insistiam em nascer ao lado dos pés de couve,
alface e outras verduras. E molhava as plantas também uma vez por dia. E se
fazia errado ganhava as tradicionais porradas e cascudos que os pais daquela
geração insistiam em dizer que eram preventivas e corretivas. Esses cascudos
são uma perda total. Perda de afeto, perda de identidade, perda de autoestima,
que tem um custo altíssimo em nossas vidas. Só com análise, bem mais tarde,
quando a gente descobre o quanto de mal aquilo nos fez. Essa perda não tem
recuperação fácil. Ganhei, no entanto, um apego à natureza, um conhecimento do
gesto e do ofício de plantar, coisa que sempre fiz na vida. Grandes perdas,
grandes ganhos.
A vida, no entanto, me levou a viver as grandes mudanças do
século XX e cheguei na infância do século XXI justamente com o advento de minha
maturidade. E como eu tive a oportunidade de fazer um curso superior na área de
Ciências (graduei-me em Física) eu pude também acompanhar os grandes avanços
científicos e tecnológicos dos últimos tempos. Como professor de Física
trabalhei em cursos de Engenharia e de formação de professores em várias
instituições. E como Doutor em Ciências da Comunicação e Informação participei
de inúmeros projetos de pesquisa em cursos de Mestrado em Educação Tecnológica
e de Estudos de Linguagem. Coordenei mais de cinquenta projetos de pesquisa na
área de Ciências Humanas e mais de mil projetos de produtos tecnológicos em
Engenharia. Isso me deu uma experiência enorme na gestão de projetos. Grandes
ganhos. Mas a idade avança e um dia a gente resolve mudar de ares. É onde a
vida pessoal e profissional se embaralham. Perdas ou ganhos?
Esse relato inicial é só mesmo para falar de perdas e ganhos
na vida, que começam logo cedo. Para irmos aprendendo que “viver é muito
perigoso”. E a gente precisa ganhar um bom jogo de cintura logo cedo para não
sair só perdendo. Cresci assim. “Vivendo e aprendendo a jogar”. Nunca ganhei
grandes coisas na vida, em termos materiais, mas ganhei muita experiência,
muita sabedoria. E é essa sabedoria que me ajuda a viver hoje.
Eu sou UM INDIVÍDUO
Não pertenço a tribos nem a escolas
não me escondo em trincheiras
não habito em guetos não frequento igrejas
não caibo em panelas
Meu mundo cabe em minha mochila
onde tem um livro, um canivete
(todo homem devia ter um canivete
símbolo fálico poderoso
que trazemos desde a infância vivida no interior)
uma chave de fenda uma caneta
um caderno de anotações
(poesia não avisa quando vem)
um par de óculos (presente do portal do tempo)
uma agenda (sou homem de compromissos)
e muitas lembranças.
Não sou politicamente correto
sou a favor de cotas para negros, indígenas, pobres
e da distribuição de rendas.
odeio patrulhas não filio a partidos
voto sempre nos contrários.
Não sou branco não sou preto não sou índio.
Sou pardo sou mestiço aquele que não é nada
por ser mistura de tudo.
E o mestiço, lá na origem do nome,
muito provavelmente, é um filho bastardo.
Preciso aprender sempre
para me desvencilhar de rótulos
das amarras e ter pensamento livre.
Não sei rezar nem orar: sou animista.
Meus animais de estimação: uma onça pintada –
encontro-a regularmente, ensinou-me sutilezas
de observação e convivência;
um casal de saíras – visitantes de meu jardim,
uma família de calangos – predadores de insetos de meu
quintal.
Não me apego a objetos
não consigo carregá-los
em viagens e mudanças:
não moro três anos no mesmo endereço.
Não sei dar nó em gravata
evito cair em armadilhas reais ou intelectuais.
AMO AS MULHERES!
terça-feira, 10 de agosto de 2021
OS ESPORTES E EU
Que esporte um jovem morador de periferia poderia praticar nos anos mil novecentos e sessenta? Acertou quem disse futebol. Bastava uma bola, um local plano, pedras servindo de trave, e vizinhos da mesma geração. E eu ainda tive o privilégio de residir a quinhentos metros de um campo de futebol de várzea para onde fugia de vez em quando aos fins de tarde. Logo o futebol foi, durante muitos anos, o meu esporte preferido para torcer e, principalmente, jogar.
Foi. Deixou de ser há muito tempo. Ainda gosto do futebol
bem jogado, mas aquele torcedor apaixonado pelo clube não existe mais. Desde o
dia em que líderes de torcida organizada do time que tinha a minha paixão
agrediu e matou jovens na rua. Simplesmente porque eles atravessaram seus
caminhos portando uma camisa do time adversário. Não dá mais para gostar de futebol
e torcer sabendo que todos, jogadores, jornalistas e torcida são
manipulados desde aquele ponto onde se encontra o Calcanhar de Aquiles dos
brasileiros: a violência enjaulada nos corações e mentes.
As olimpíadas nos mostraram, como sempre, que há uma forma
civilizada de praticar esporte e torcer. Que mesmo dando pancada em seu
oponente, nos esportes de luta, é possível, e necessário, abraçá-lo depois do jogo ganhando ou perdendo. E que
é possível até mesmo comemorar a vitória de seu adversário como se fosse sua,
como fizeram os garotos e garotas do skate. E que respeitar os árbitros é também possível
em todos os esportes, menos, é claro, no futebol. E que os jogadores de futebol
não respeitam nem mesmo os atletas de outros esportes olímpicos ao se recusarem
a vestir o uniforme igual a todos.
Pena que as olimpíadas só acontecem de vez em quando. Mas os
esportes continuam, as competições nos campeonatos de cada modalidade voltam a
acontecer logo, logo. Há inúmeras outras possibilidades no mundo dos esportes.
domingo, 4 de abril de 2021
DIVERSÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA?
Em tempos de pandemia, a gente se diverte com coisas miúdas, inventadas. Já que fico vinte e quatro horas dentro dos muros da residência, o jeito é inventar. Inventando a gente se reinventa. Sim, eu me diverti hoje. Por quê? Essa pergunta é meio besta, é preciso um por quê para se divertir? Eu me divirto porque estou vivo. É uma boa razão.
A esta altura da trajetória, eu já não diferencio o trabalho
da diversão, do prazer. Meu trabalho é simples: leio, escrevo, converso com
pessoas (à distância, lógico). E tem o trabalho doméstico de sobrevivência:
limpar, lavar, reorganizar a casa e cozinhar, basicamente.
Procuro me divertir com tudo isso. Ler e escrever coisas
divertidas, conversar com pessoas divertidas. Cozinhar e comer o que cozinhamos
é um desbunde. Limpar a casa ouvindo música e dançando com a vassoura não tem
preço. Cuidar do jardim e ver a azaleia que plantou no vaso meses atrás não tem
igual. Ouvir a companheira tocar seu violão e cantar é um prazer imensurável. Além
disso fazer duas horas de ginástica por dia (sim, agora eu tenho tempo) e ver meu
corpo maduro se enrijecendo também e a barriga diminuindo de volume, também não
tem pra ninguém.
Mas o sofrimento vem com as notícias que chegam de fora dos
muros. Milhares de mortes por covid, hospitais lotados, profissionais de saúde à
beira da insanidade, amigos e conhecidos doentes e alguns queridos morrendo,
cemitérios sem condições de enterrar a todos, filas de pessoas nos cartórios
para registrar os óbitos de familiares, governo genocida se lixando para isso e
presidente gastando milhões em férias enquanto o país se deteriora.
Toda a diversão parece perder o sentido. Mas eu preciso
estar lúcido. Algumas pessoas precisarão estar lúcidas e em condições de
refazer a história depois dessa merda toda. Que, eu espero, vai passar. E o
mundo vai precisar de bons contadores de história, bons inventores para
reinventar o mundo.
sexta-feira, 26 de março de 2021
QUEM É VOCÊ?
Que pergunta a ser respondida em belo e quente dia, com um sol brilhando de bonito! Eu sei bem quem eu sou: hoje. Porque resolvi deixar o passado para trás, embora ele quem me diz quem eu sou hoje. Mas não estou pensando em revivê-lo, em hipótese nenhuma. Tudo passou. E não quero lembrar as tantas besteiras que fiz. Lamento por elas. Lamento muito por quem se sentiu ofendido com minhas besteiras, quem se sentiu traído, ou algo assim.
É uma pergunta oportuna, me faz pensar em mim mesmo, e hoje.
Quem sou eu? Ela me faz pensar no futuro, na verdade. Em quem eu quero ser. Vou
aproveitar a questão para imaginar cenários possíveis de amanhã. Hoje vivemos
uma pandemia de COVID 19, uma doença provocada por um vírus inimaginável, neste
momento, e que mata muita gente e deixa muitas sequelas em alguns que a
contraem.
Então, em primeiro lugar, sou um cara que se cuida muito
para não pegar este maldito vírus, porque nos próximos anos quero estar vivo e
ativo para contar histórias. Sim, eu sou um cara que conta histórias. Gosto de
contar histórias, de fazer a plateia se encantar com elas e comigo. Sim, comigo
também. Faz parte de minha vaidade, minha bem dosada vaidade, espero, para que
ela não tome conta de mim.
E histórias são, na verdade, histórias de nossa vida. Elas
precisam ter credibilidade, então precisam ser vividas para serem contadas. E
eu já vivi muitas histórias. Fui professor durante mais de quarenta anos, então
tenho muitas histórias de trabalho, de professores e de alunos, de colegas, de
projetos, de vivências. Hoje pretendo ser escritor. Escrevo minhas histórias
para encontrar a melhor maneira de contá-las.
Então, sou escritor, contador de histórias e causos, tenho
grande vivência profissional e sou vaidoso, intelectualmente vaidoso. É um bom
começo de perfil. E para contar histórias preciso ter plateia. Pretendo
costurar minha plateia de duas maneiras: tendo um bom livro de histórias para
que me leiam e um auditório, cheio de gente, para que me ouçam. Mesmo que o
auditório seja virtual, porque não sei se teremos aglomerações de hoje em
diante por causa do vírus.
Eu nunca fui um cara muito persistente e determinado,
focado. Sempre contei com minha inteligência e minha capacidade de aproveitar
os acasos pertinentes acontecidos. Minhas escolhas foram algumas boas, outras
nem tanto, mas acabaram por darem certo, afinal de contas.
Mas agora preciso ser determinado, focado e persistente,
porque já tenho uma idade que muitos consideram avançadas e quero ter um final
de vida produtivo. E deixar uma história a ser contada por outros que tenham,
ou venham a ter, proximidade comigo. E eu já tenho muita gente para falar mal
de mim, agora quero encontrar pessoas que venham a falar bem de mim depois de
minha morte.
No mais, eu sou um cara gentil, alegre, bem humorado sempre.
Sou um cara de bem com a vida. Aprendi com um colega de profissão, certa vez,
que “ser feliz é uma opção, ser bem humorado é obrigação”. Por isso sou bem
humorado, porque ninguém é obrigado a aguentar o mau humor de ninguém. Estudei
muito na vida, considero-me um cara inteligente.
E sou único no mundo em várias análises. Não apenas uma
questão de digitais, sabemos que as digitais são únicas, não se repetem de dedo
a dedo (informação que carece de comprovação) mas também porque tenho um nome
único no mundo.
Vejam bem: meu nome é Paulo Cezar Santos Ventura. E paulo
cezar santos existem muitos pelo mundo afora; paulo santos ventura existem
muitos mundo afora; paulo cezar ventura existem muitos mundo afora. Incrível, o
que me torna único no mundo é exatamente esse sobrenome comum, com milhões de
pessoas mundo afora: Santos. Graças ao Santos eu sou a única pessoa no mundo
com esse nome. Esse sou eu.
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